A ética do bem-dizer

“A ética do bem-dizer não se confunde com o dizer onde está o bem.”Daniela Teperman
Com alguma frequência chegam ao consultório pais que procuram ajuda para organizar a rotina da família. Procuram uma especialista em família. A demanda é legítima e merece ser escutada, mas não pode ser respondida do lugar em que é feita.
Em psicanálise não há especialista, se especialista for quem sabe como as coisas devem ser. Cada caso é um caso. O saber em jogo é o de quem fala, ainda que não saiba que sabe.
Em matéria de parentalidade, sobram vozes dispostas a dizer onde está o bem: o papel do pai, o papel da mãe, o papel dos filhos. Esse discurso normativo alimenta a fantasia de que existe uma boa versão de família, e cada família real passa a se medir por ela. O resultado raramente é alívio. Quase sempre é culpa.
O que fazer, então, com a pergunta “como devemos fazer?” Acolhê-la, escutá-la e deixar que quem pergunta se escute perguntando. É ali, e não num manual, que alguma coisa pode se deslocar.
Referências
TEPERMAN, Daniela. Parentalidade para todos, não sem a família de cada um. In: TEPERMAN, Daniela; GARRAFA, Thais; IACONELLI, Vera (org.). Parentalidade. Belo Horizonte: Autêntica, 2020. (Coleção Parentalidade & Psicanálise, v. 1).