A mulher entre a mãe e o filho

A maternidade não esgota uma mulher. Parece óbvio, mas não é o que se escuta no consultório. Muitas mães chegam capturadas por discursos que não são os seus, discursos que fazem da maternidade uma profissão e, por consequência, do filho um produto. Apoiadas inteiramente nessa função, silenciam a si mesmas e, não raro, também o filho.
Um filho não completa uma mulher. É uma má notícia para o ideal e uma boa notícia para o desejo. É preciso que a mãe falte enquanto mãe, que não seja toda mãe, para que o filho tenha onde respirar e para que ela possa desejar para além dele. Desejar outras coisas. Inclusive, quem sabe, outro filho.
Há sempre uma mulher entre a mãe e o filho. E entre a mulher e a mãe há ainda outra: a mãe da mãe, de onde essa relação começou a se fundar. Mas isso fica para outro texto.