O que quer uma mulher?

A pergunta é de Freud, feita a Marie Bonaparte depois de trinta anos escutando mulheres, e ficou sem resposta. Não por falta de candidatos. Desde então, muitos discursos se ofereceram para respondê-la: a moral, a medicina, o mercado, os manuais de maternidade e de relacionamento.
Talvez a pergunta resista porque não há resposta que valha para todas. Lacan disse isso de modo radical: A mulher não existe. Não há um universal da mulher, um modelo do qual cada uma seria um exemplar. Há mulheres, uma a uma.
Isso não é uma perda. É o que abre espaço para que cada uma diga, de onde está, o que quer, em vez de ser dita pelo que a época prescreve. Dizer, e não ser dita: talvez seja a única resposta que se possa dar no plural.
Para muitas mulheres, o preço de desejar ainda é a culpa: por querer demais, por querer outra coisa, por não querer o que se esperava. Uma análise não responde à pergunta de Freud. Oferece um lugar onde cada mulher pode formular a sua e sustentá-la sem pagá-la com culpa.
Referências
JONES, Ernest. A vida e a obra de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1999.
LACAN, Jacques. O seminário, livro 20: mais, ainda. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.