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Blog · Maternidade

Uai, respirando

Mulher de costas, em silhueta, diante de uma janela aberta para um céu rosado

Numa conversa entre amigas, alguém perguntou como era possível ter algum respiro cuidando das crianças. Respondi como boa mineira: “uai, respirando”. A resposta, óbvia para mim, não era óbvia para mais ninguém. A diferença me fez pensar: que espaço damos aos nossos filhos? Sempre a postos, apostamos neles como sujeitos?

O que escuto no consultório é que o imperativo da época é o excesso. Pode ser excesso de ideal: tudo deve ser lindo e, se não é, a culpa é da mãe que não seguiu o último manual. Pode ser excesso de real: a maternidade como sacrifício, concessão, exaustão. São faces da mesma moeda. Nas duas, a mulher se apaga, e a maternidade ultrapassa as medidas do humano, feito justamente daquilo que falta e falha.

É nesse excesso que as crianças crescem, sem espaço para experimentar, errar, desejar, porque nós não nos damos esse espaço. A criança está muito mais atenta ao modo como nos transformamos do que a uma mãe ou um pai prontos, que, aliás, não existem.

Se queremos filhos implicados com o próprio desejo, talvez seja preciso começar nos implicando com o nosso. Abrir espaço para nós, como mulheres, para poder apostar neles, como sujeitos.

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Lívia Guimarães, psicóloga e psicanalista (CRP 04/49226). Atendo adultos e adolescentes, presencial e on-line, na orientação de Freud e Lacan.